A endometriose pode afetar a fertilidade mesmo sem sintomas intensos?
Embora muitas pessoas associem a doença a cólicas incapacitantes e dor pélvica intensa, a ciência já demonstrou que a intensidade dos sintomas nem sempre reflete a gravidade da condição.
Algumas mulheres apresentam poucos sintomas ou até mesmo são assintomáticas, mas podem enfrentar dificuldades para engravidar.
Pesquisas em nível celular identificaram que a endometriose promove inflamação persistente, alterações imunológicas e redução da receptividade endometrial.
Essas mudanças podem criar um ambiente menos favorável para a fertilização e para a implantação embrionária.
Além disso, estudos demonstraram alterações na qualidade dos óvulos, inclusive em ovários aparentemente não afetados pela doença.
A hipótese atual é que a infertilidade associada à endometriose não ocorre apenas por aderências ou alterações anatômicas, mas por uma combinação de fatores celulares, hormonais, inflamatórios e imunológicos.
As análises mais recentes confirmam que essas alterações podem reduzir as chances de gravidez espontânea e impactar os resultados dos tratamentos de reprodução assistida.
A ausência de sintomas intensos não significa ausência de impacto reprodutivo.
A endometriose pode interferir na fertilidade de maneiras silenciosas, muitas vezes antes mesmo do diagnóstico.
Por isso, se você está com dificuldades para engravidar, considere uma avaliação, mesmo se os sintomas parecem leves ou não existirem.
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Dra. Larissa Matsumoto | CRM-SP 134.981
Fonte científica: GEREDE, A. et al. Endometriosis at the Single-Cell Level: Molecular Insights and Implications for Assisted Reproduction Success. Biomolecules, 2026.
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