Quando o exame vem normal, mas a gravidez não acontece
O casal realiza os exames iniciais, recebe resultados aparentemente normais e, mesmo assim, a gravidez não acontece.
Na avaliação da fertilidade masculina, o espermograma continua sendo o principal exame para analisar a concentração, a motilidade e a morfologia dos espermatozoides.
Porém, a ciência vem demonstrando que essas informações nem sempre revelam toda sua capacidade funcional.
Um estudo publicado em 2026 no Journal of Assisted Reproduction and Genetics investigou o potencial elétrico da membrana dos espermatozoides.
Esse mecanismo faz parte do processo de capacitação espermática, uma etapa essencial para que o espermatozoide consiga fertilizar o óvulo.
Os pesquisadores analisaram amostras de 119 homens submetidos a tratamentos de reprodução assistida e observaram que espermatozoides com membranas mais hiperpolarizadas apresentavam maiores taxas de fertilização durante ciclos de Fertilização in Vitro (FIV). Já aqueles com membranas mais despolarizadas estiveram associados a resultados menos favoráveis.
Um dos achados mais interessantes foi que essa diferença não era identificada pelos parâmetros tradicionais do espermograma.
Ou seja, dois homens podem apresentar exames semelhantes e, ainda assim, terem potenciais de fertilização diferentes.
Esses resultados reforçam algo que a medicina reprodutiva vem descobrindo cada vez mais: a fertilidade masculina vai muito além da quantidade, da movimentação ou da aparência dos espermatozoides.
Existem aspectos funcionais e moleculares que podem influenciar diretamente as chances de fertilização e que ainda não são avaliados pelos exames convencionais.
Por isso, quando a gravidez não acontece, uma investigação individualizada é fundamental!
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Dra. Larissa Matsumoto | CRM-SP 134.981
Fonte: CARRASQUEL-MARTÍNEZ, G. et al. Sperm plasma membrane potential as a marker for fertilization success for non-normozoospermic patients undergoing assisted reproduction technologies. 2026