Tive uma perda precoce. Isso significa que pode acontecer novamente?

Depois de uma perda gestacional, é muito comum que a próxima tentativa venha acompanhada de uma pergunta difícil:

“E se acontecer de novo?”

Perdas gestacionais precoces são relativamente frequentes. A FEBRASGO aponta que a maioria dos abortamentos espontâneos acontece no primeiro trimestre e que alterações cromossômicas embrionárias estão entre suas causas mais frequentes.

Mas uma primeira perda não significa que existe necessariamente um problema de fertilidade ou que a próxima gestação terá o mesmo desfecho.

A maioria das perdas precoces é um evento isolado, e a perspectiva de uma gestação futura bem-sucedida continua sendo boa.

O risco individual depende de vários fatores.

A idade materna tem papel importante porque, com o avanço da idade, aumenta a frequência de alterações cromossômicas nos óvulos.

Histórico reprodutivo, algumas alterações uterinas, síndrome antifosfolípide e determinadas condições clínicas também podem modificar esse risco.

Quando as perdas se repetem, a história muda.

Atualmente, entidades como ESHRE e ASRM consideram a investigação de perda gestacional recorrente a partir de duas perdas, embora existam diferenças entre definições adotadas pelas sociedades médicas.

Uma perda merece acolhimento e acompanhamento, mas não deve ser interpretada automaticamente como previsão da próxima gravidez.

Quando existe repetição, idade materna mais avançada ou outros fatores de risco, uma avaliação direcionada pode ajudar a decidir quais investigações realmente são necessárias, evitando também exames e tratamentos sem indicação.

Se você passou por uma perda e deseja planejar uma nova gestação, agende sua consulta para uma avaliação individualizada.

Dra. Larissa Matsumoto | CRM-SP 134.981

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