Seu intestino pode influenciar a fertilidade?

Quando pensamos em fertilidade, é comum imaginar hormônios, ovários, útero e qualidade dos óvulos.

Mas a ciência vem mostrando que existe outro protagonista nessa história: o intestino.

Muito além da digestão, a microbiota intestinal participa da produção de substâncias anti-inflamatórias, regula o sistema imunológico, interfere no metabolismo e ajuda na reciclagem do estrogênio.

Quando esse equilíbrio é alterado, situação conhecida como disbiose, podem surgir alterações que repercutem em diferentes sistemas do organismo, incluindo o reprodutivo.

Outro conceito que vem ganhando destaque é o eixo intestino-endométrio: uma comunicação entre a microbiota intestinal e o revestimento interno do útero.

Essa interação acontece por meio de metabólitos produzidos pelas bactérias e de sinais imunológicos que podem influenciar o ambiente uterino e, possivelmente, a implantação do embrião.

Estudos também observaram alterações na microbiota com maior frequência em mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP), endometriose e infertilidade.

Isso não significa que a disbiose seja a causa dessas condições, mas reforça uma associação que continua sendo investigada.

Hábitos de vida exercem grande influência sobre a microbiota.

Alimentação rica em fibras, frutas, verduras e alimentos minimamente processados favorece uma maior diversidade de bactérias benéficas.

Em contrapartida, estresse crônico, privação de sono, uso indiscriminado de antibióticos e dietas pobres em fibras podem comprometer esse equilíbrio.

Não existe um tratamento baseado exclusivamente na microbiota para aumentar a fertilidade, mas, o que a ciência já demonstra, é que a fertilidade depende da interação entre diversos fatores.

Por isso, cuidar do intestino faz parte de uma abordagem global de saúde e pode integrar um planejamento reprodutivo individualizado e baseado em evidências.

Dra. Larissa Matsumoto | CRM-SP 134.981

Fonte: Li Y et al. Frontiers in Endocrinology. 2025; PMCID: PMC12113314.

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