A "dieta da tentante" existe ou é mais uma promessa da internet?
Quem está tentando engravidar provavelmente já recebeu algum conselho sobre alimentação.
Inhame, abacate, castanhas, chás e suplementos aparecem com frequência nas redes sociais como se existisse uma combinação capaz de aumentar as chances de gravidez.
Mas será que a ciência confirma essas promessas?
A resposta é que não existe um alimento ou uma dieta capaz de garantir a gravidez.
O que os estudos mostram é que a qualidade da alimentação como um todo parece exercer um papel muito mais importante do que qualquer alimento isolado.
Uma dieta equilibrada contribui para reduzir a inflamação, melhorar a sensibilidade à insulina, diminuir o estresse oxidativo e favorecer o funcionamento hormonal. Esses fatores influenciam diretamente o ambiente em que os óvulos se desenvolvem e podem repercutir na fertilidade.
Por outro lado, uma alimentação rica em ultraprocessados, açúcares, gorduras trans e bebidas açucaradas está associada a alterações metabólicas e inflamatórias que podem comprometer a saúde reprodutiva.
Outro ponto importante é que não existe uma dieta ideal para todas as mulheres.
Quem apresenta síndrome dos ovários policísticos (SOP), endometriose, resistência à insulina, obesidade ou baixa reserva ovariana pode ter necessidades nutricionais diferentes.
Por isso, copiar receitas da internet ou seguir dietas da moda dificilmente é a melhor estratégia.
Mais do que buscar um alimento "milagroso", vale investir em hábitos saudáveis e sustentáveis.
Afinal, fertilidade não depende de uma receita pronta, mas da interação entre diversos fatores que podem ser avaliados e trabalhados de forma personalizada.
Dra. Larissa Matsumoto | CRM-SP 134.981
Fonte: Alesi S et al. Human Reproduction Update. 2023. Revisão sistemática sobre alimentação pré-concepcional e fertilidade feminina.