Por que alguns embriões param de se desenvolver?

Receber a notícia de que um embrião deixou de evoluir é um dos momentos mais difíceis para quem está passando por um tratamento de fertilização in vitro (FIV).

É natural que surjam dúvidas e, muitas vezes, um sentimento de culpa. Mas a ciência mostra que, na maioria dos casos, esse processo faz parte da seleção natural do próprio desenvolvimento embrionário.

Após a fertilização, o embrião inicia uma sequência de divisões celulares até alcançar o estágio de blastocisto, geralmente entre o quinto e o sexto dia de desenvolvimento.

No entanto, nem todos os embriões conseguem completar esse percurso.

O principal motivo está relacionado às alterações cromossômicas: durante a formação dos óvulos e dos espermatozoides podem ocorrer erros na distribuição dos cromossomos, tornando alguns embriões inviáveis para continuar seu desenvolvimento.

Esse processo pode ser entendido como um mecanismo de seleção biológica.

É importante lembrar que um embrião que não evoluiu não significa, necessariamente, que exista um problema definitivo com o casal. Cada ciclo de FIV fornece informações importantes sobre a resposta aos medicamentos, a qualidade dos gametas e o desenvolvimento embrionário, permitindo individualizar cada vez mais o tratamento.

Nos últimos anos, avanços como incubadoras com sistema time-lapse, melhorias nos meios de cultura e testes genéticos embrionários ampliaram a capacidade de compreender esse desenvolvimento.

Ainda assim, a medicina reprodutiva reconhece que parte desse processo depende da própria biologia humana, que não pode ser completamente controlada.

Por isso, diante de um resultado como esse, o mais importante é entender por que o embrião interrompeu seu desenvolvimento e quais informações esse ciclo pode oferecer para os próximos passos.

Cada história é única. E cada tratamento também deve ser.

Dra. Larissa Matsumoto | CRM-SP 134.981

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