Embriões congelados envelhecem?

Um embrião congelado há cinco anos ficou biologicamente cinco anos mais velho?

Não da mesma maneira que nós envelhecemos.

Na reprodução assistida, os embriões podem ser preservados por vitrificação, técnica de congelamento ultrarrápido que os mantém em temperaturas extremamente baixas, com a atividade biológica praticamente interrompida.

Isso significa que um embrião formado a partir dos óvulos de uma mulher aos 32 anos mantém as características relacionadas à idade dos óvulos no momento em que foi formado.

Se for transferido anos depois, o embrião não passa a ter a “idade genética” atual da mulher.

A pergunta mais interessante, então, é outra: ficar muitos anos congelado pode diminuir suas chances?

Aqui a ciência ainda não oferece uma resposta totalmente fechada. Um grande estudo publicado em 2024, envolvendo mais de 58 mil blastocistos vitrificados, não encontrou associação independente entre tempo de armazenamento e nascimento vivo.

Já uma revisão sistemática do mesmo ano, com mais de 233 mil embriões, encontrou menores taxas de gravidez e nascimento vivo após armazenamento superior a 12 meses. Porém, os próprios autores alertam que fatores como qualidade embrionária e motivos para adiar a transferência podem explicar parte dessa diferença. Não houve aumento significativo de malformações congênitas, prematuridade ou baixo peso ao nascer.

Congelamento não significa que o embrião continue envelhecendo dentro do laboratório.

E os dados disponíveis sobre armazenamento prolongado são, em geral, tranquilizadores, embora ainda existam resultados divergentes sobre taxas reprodutivas.

Cada caso deve considerar a idade no momento da formação do embrião, sua qualidade e a história reprodutiva da paciente.

Dra. Larissa Matsumoto | CRM-SP 134.981

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