Congelar óvulos com endometriose: quando é indicado?

A endometriose é uma doença inflamatória crônica dependente de estrogênio que pode impactar a fertilidade por múltiplos mecanismos — e não apenas por obstrução das trompas.

Mesmo nos casos considerados leves, o ambiente pélvico pode apresentar aumento de citocinas inflamatórias e estresse oxidativo, fatores que interferem na qualidade oocitária, na função tubária e na receptividade endometrial.

Um ponto pouco discutido é o impacto cumulativo da doença na reserva ovariana.

A presença de endometriomas (cistos ovarianos) pode comprometer o tecido saudável ao redor. Além disso, cirurgias repetidas para retirada desses cistos podem reduzir a quantidade de folículos, impactando diretamente o AMH e a resposta ovariana futura.

Estudos mostram que, após determinadas abordagens cirúrgicas, pode haver redução significativa da reserva — especialmente quando a técnica não preserva adequadamente o tecido ovariano.

É nesse contexto que o congelamento de óvulos deve ser discutido precocemente.

Ele não trata a endometriose. Mas preserva o potencial reprodutivo no momento em que a qualidade e a quantidade de óvulos ainda são favoráveis.

Pode ser indicado especialmente quando:

✔ Há diagnóstico de endometrioma, mesmo assintomático

✔ Existe indicação cirúrgica ovariana

✔ O AMH começa a apresentar queda progressiva

✔ A mulher deseja adiar a maternidade

✔ Há histórico familiar de insuficiência ovariana precoce

Outro ponto relevante: o momento ideal é antes da cirurgia, quando possível, para preservar óvulos antes de eventual redução da reserva.

Nem toda paciente com endometriose precisa congelar óvulos.

Mas toda paciente deve receber informação clara sobre essa possibilidade.

Preservar fertilidade não é antecipar medo.

É tomar decisões baseadas em ciência, tempo e autonomia.

Preservar não é desistir. É planejar.

Dra. Larissa Matsumoto | CRM-SP 134.981

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