Ácido fólico só serve para evitar má formação? O que quase ninguém explica
O ácido fólico é amplamente lembrado pela prevenção dos defeitos do tubo neural — por isso, recomenda-se iniciar a suplementação pelo menos 30 dias antes da concepção e mantê-la no início da gestação.
Mas essa é apenas uma parte da história.
O folato participa de reações fundamentais para a vida celular: síntese de DNA, reparo genético, divisão celular e metilação — um mecanismo bioquímico que regula a expressão dos genes.
Esses processos acontecem antes mesmo da implantação embrionária.
Durante a maturação dos óvulos, por exemplo, há intensa atividade de replicação e organização genética. Níveis inadequados de folato podem interferir na qualidade oocitária, na formação embrionária inicial e até na capacidade de implantação.
Pouco se fala também sobre seu papel na fase lútea e no ambiente endometrial. A adequada metilação influencia a receptividade do endométrio e o equilíbrio inflamatório uterino — fatores essenciais para que o embrião fixe.
Outro ponto importante é que o metabolismo do folato varia entre as mulheres. Polimorfismos genéticos na via da metilação, como variantes da MTHFR, podem reduzir a conversão do ácido fólico na sua forma ativa (metilfolato).
Nesses casos, a suplementação tradicional pode não ser a mais eficaz.
E mais: dose não é padrão universal. Enquanto a recomendação habitual é de 400 mcg por dia para mulheres de baixo risco, situações específicas — como histórico de perdas gestacionais, obesidade, diabetes ou uso de determinados medicamentos — podem exigir ajustes individualizados.
Excesso também não é sinônimo de benefício.
Altas doses sem indicação podem mascarar deficiência de vitamina B12 e gerar desequilíbrios metabólicos.
Ácido fólico não é apenas “vitamina de grávida”. É parte do preparo reprodutivo, da qualidade celular e da construção genética do início da vida.
Planejar gravidez é preparar o ambiente molecular onde tudo começa.
Dra. Larissa Matsumoto | CRM-SP 134.981
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