FIV e autismo: o que a ciência realmente mostra
Uma dúvida muito comum entre pacientes que estão considerando tratamentos de fertilidade é: “A FIV aumenta o risco de autismo no bebê?”
Essa preocupação é compreensível mas precisa ser analisada com base em evidência científica.
Um grande estudo populacional com mais de 1,3 milhão de crianças mostrou que existe um leve aumento no risco de autismo em filhos de pais com infertilidade.
No entanto, um ponto fundamental é muitas vezes ignorado: esse risco não parece estar relacionado diretamente ao tratamento, mas sim às condições associadas à infertilidade.
Ou seja, fatores como:
- idade materna mais avançada
- alterações metabólicas (como síndrome dos ovários policísticos)
- endometriose
- e até processos inflamatórios
podem estar envolvidos tanto na dificuldade para engravidar quanto no desenvolvimento neurológico da criança.
Além disso, o próprio estudo mostrou que fatores obstétricos, como prematuridade, gestação gemelar e complicações neonatais, têm papel importante nessa associação.
Outro dado relevante: quando comparados apenas pacientes com infertilidade, a FIV não aumentou significativamente o risco em relação a quem não fez tratamento.
Isso muda completamente a forma de enxergar o problema.
A ciência atual aponta que o foco não deve ser o tratamento em si, mas sim o cuidado integral da gestação e das condições clínicas maternas.
Portanto, mais do que evitar o tratamento, o caminho é investigar corretamente, acompanhar de forma adequada e individualizar cada caso.
💬 Se você tem dúvidas sobre fertilidade e segurança dos tratamentos, uma avaliação individualizada pode ajudar a esclarecer seu cenário com base em evidência, não em medo!
*Estudo publicado na JAMA Network Open (2023), com mais de 1,3 milhão de crianças, avaliando infertilidade e risco de autismo
Dra. Larissa Matsumoto | CRM-SP 134.981
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